16 de junho de 2012

Amigos


“Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos”.

Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta

necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,

eis que permite que o objeto dela se divida

em outros afetos, enquanto

o amor tem intrínseco o ciúme,

que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor,

que tivessem morrido todos os meus amores,

mas enlouqueceria se morressem

todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem

o quanto são meus amigos e o quanto minha

vida depende de suas existências ...

A alguns deles não procuro, basta-me saber

que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir

em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade,

não posso lhes dizer o quanto gosto deles.

Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica

e não sabem que estão incluídos na sagrada

relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,

embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que

eles não têm noção de como

me são necessários, de como são indispensáveis

ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte

do mundo que eu, tremulamente,construí e se

tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.

Se todos eles morrerem, eu desabo!Por isso é que, sem que eles saibam,

eu rezo pela vida deles.

E me envergonho, porque essa minha prece é,

em síntese, dirigida ao meu bem estar.

Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos

sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de

lugares maravilhosos,cai-me alguma lágrima

por não estarem junto de mim, compartilhando

daquele prazer ...

 Se alguma coisa me consome

e me envelhece é que a roda furiosa da vida

não me permite ter sempre ao meu lado,

morando comigo, andando comigo, falando comigo,

vivendo comigo, todos os meus amigos, e,

principalmente os que só desconfiam

ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

“A gente não faz amigos, reconhece-os”.

                                            Vinicius de Morais

2 comentários:

  1. Olá amiga Claudine! Quanto tempo?

    E aí? Tá animada para festejar as festas juninas? Dançar forró, xote, baião, quadrilha e comer as comidas típicas da nossa região? A vida é curta e temos que curtir-la o máximo que pudermos com paz, alegria e amor no coração. Tudo bem com você e família?

    Quanto a postagem em tela, minha amiga, é um texto belíssimo do Vínicius, assim como todos dele são.O texto é muito profundo e retrata a personalidade de um verdadeiro amigo. Apesar de vivermos em um mundo corrompido pelo egoísmo, ódio, inveja entre outras coisas inferiores, eu ainda acredito na verdadeira amizade como a do texto. São poucos mais ainda existem.

    Abraços.

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